Maternidade

Quais as diferenças entre estado puerperal e depressão pós-parto?

Escrito por Mammybelt

A chegada do bebê é um momento de grande felicidade para a mãe, que, após longos nove meses, pode enfim ter seu filho nos braços. No entanto, algumas mulheres acabam passando por momentos de tristeza e melancolia, que podem chegar à depressão. Por isso, é preciso saber diferenciar o que é puerperal e o que é depressão.

Existe uma diferença entre a melancolia natural do puerpério — estado da mulher após o nascimento do bebê — e a depressão pós-parto. É muito importante identificar qual é, de fato, a causa da tristeza nesse momento para buscar o tratamento correto. Quer entender as diferenças entre esses dois estados? Então, continue a leitura!

O que são estado puerperal e depressão pós-parto?

O nascimento de um bebê é um motivo de alegria. No entanto, justamente quando todos os olhos se voltam para a criança que acabou de chegar, a nova mãe passa por uma fase crítica de adaptação física e emocional. É aí que podem surgir dois problemas: o estado puerperal e a depressão pós-parto. 

Estado puerperal

Embora sejam duas situações distintas, muita gente acaba por confundir o que é puerperal e o que é típico da depressão pós-parto. Veja essa definição feita pelo psicólogo Alexandre Coimbra Amaral, especialista em pós-parto e terapeuta familiar:

O puerpério é um momento de reflexão profunda. De reconstrução da identidade, de introspecção, de exaustão e de desconhecimento de si. É aquele momento em que a mulher se olha no espelho e não se reconhece. Percebe que está se transformando em uma outra pessoa”. 

Todas as emoções humanas cabem nessa fase de transição, e isso é normal. Com o nascimento da criança, a mulher ainda não está adaptada à nova realidade e pode sofrer um baque. Já ouviu aquela história de que, “quando nasce um bebê, nasce também uma mãe?”

Esse nascimento de uma nova identidade na mulher nem sempre é tranquilo, principalmente para as mães de primeira viagem. Afinal, vem uma avalanche de novas responsabilidades, novos sentimentos e novos medos. Também há uma grande mudança hormonal no corpo delas, o que leva à desestabilização emocional.

Basicamente, o estado puerperal é essa melancolia natural que vem após o parto, também conhecido como baby blues ou blues puerperal. É uma tristeza quase que fisiológica e costuma ser passageira: tem início nos primeiros dias depois do parto e, em geral, dura duas semanas, desaparecendo espontaneamente.

Depressão pós-parto

Já a depressão pós-parto é uma patologia emocional mais grave que se inicia algumas semanas após a chegada de recém-nascido. Ela retira toda a vitalidade da nova mãe, que muitas vezes não consegue se conectar com o bebê e não se sente preparada para lidar com a maternidade.

A mulher perde o interesse por tudo, não só pelo filho. Para se ter uma ideia, em circunstâncias mais extremas do problema, ela pode vir a praticar infanticídio. Por isso, é muito importante procurar ajuda de um profissional para avaliar a situação e se tratar o quanto antes.

Não há motivo para vergonha. Há sempre aqueles que vão julgar e comentar: “Mas como? Seu bebê nasceu perfeito!!! É tão lindo!!! Nossa! É até um pecado este seu desinteresse”. Porém, não se abale!!! Busque ajuda o quanto antes e saiba que esse é um problema de saúde comum.

Cerca de 25% das mulheres sofrem de depressão pós-parto no Brasil — um número bastante expressivo, né? Além do mais, é uma doença que pode se repetir, daí a importância de acompanhamento. E o pior é que mesmo as mães que esperaram ansiosamente pela chegada do bebê estão sujeitas a desenvolver o problema.

Quais são os principais sintomas?

Além da tristeza, os principais sintomas do estado puerperal são:

  • desânimo;
  • irritabilidade;
  • angústia;
  • falta de paciência;
  • cansaço;
  • alterações de humor.

No caso de depressão pós-parto, podem aparecer:

  • desânimo intenso;
  • sofrimento;
  • angústia;
  • ansiedade;
  • alterações do sono;
  • baixa autoestima;
  • mudanças de apetite (com aumento ou perda de peso);
  • sensação de incapacidade;
  • sentimento de culpa;
  • rejeição ao bebê;
  • pensamentos suicidas.

Como é feito o diagnóstico do estado puerperal e da depressão pós-parto?

O estado puerperal não é muito fácil de ser diagnosticado, visto que, durante a fase de gestação, é comum que a mulher passe por diversas transformações, inclusive comportamentais. Por isso, é extremamente importante que todos os familiares acompanhem a gestante no seu pós-parto.

Só assim poderão perceber mudanças que fogem das habituais alterações de humor. O estado puerperal pode surgir nos primeiros dias após o parto, visto que se aproveita das grandes mudanças de taxas hormonais que essa fase traz para o corpo da mulher.

Fatores de risco 

Embora não seja possível prever o surgimento do estado puerperal nem da depressão pós-parto, alguns fatores de risco podem facilitar o aparecimento desses problemas. São eles:

  • histórico de depressão pós-parto;
  • falta de apoio da família e/ou do companheiro;
  • gravidez não planejada;
  • histórico familiar de transtornos mentais;
  • limitações físicas, como o repouso absoluto em gestações de risco;

Além de confrontar fatores psicológicos, é possível diagnosticar o estado de psicose puerperal a partir de fatores sociais. Um exemplo é quando a gestante está enfrentando problemas financeiros ou de violência doméstica. Nessas situações, ela pode pensar que ter um filho é mais um peso na sua vida e, então, encara a maternidade negativamente.

Diagnóstico clínico

Quanto ao diagnóstico da depressão pós-parto, o Manual Diagnóstico de Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), da Associação Americana de Psiquiatria, defende que os sinais e sintomas da doença se desenvolvem em até quatro semanas após o nascimento do bebê, ou seja, não são imediatos.

Na maioria das vezes, a mulher começa a apresentar os seguintes sinais:

  • humor depressivo em grande parte do dia;
  • diálogos que abrangem frases suicidas;
  • movimentos do corpo reduzidos;
  • habilidade de pensar e tomar decisões reduzida, entre outros.

O diagnóstico de depressão pós-parto é clínico, realizado pelo psicólogo ou pelo psiquiatra. Porém, o médico obstetra que acompanha a gestante ou até mesmo o pediatra do bebê conseguem observar os sintomas de uma possível depressão pós-parto e, assim, encaminhar a mulher para o profissional indicado.

Como deve ser o tratamento?

Por se tratar de mudanças hormonais naturais, não há como curar clinicamente o estado puerperal. Além disso, não há necessidade de tratamento, mas é importante que as mulheres que apresentam esse quadro sejam orientadas pelo médico, que mostrará que essa desestabilização hormonal é passageira.

Para os casos de depressão pós-parto, no entanto, é preciso aliar apoio e o uso de medicamentos indicados pelo médico, bem como fazer acompanhamento psicológico ou psiquiátrico. Algumas possibilidades de tratamento são:

  • terapias: para estimular a superação da depressão e reforçar os vínculos entre a mãe e o bebê;
  • medicamentos hormonais: para normalizar os aspectos fisiológicos da paciente;
  • acompanhamento cotidiano: babás ou familiares que podem auxiliar nos cuidados com o bebê.

O papel da família

A presença da família é extremamente importante, afinal, pessoas próximas conseguirão perceber os primeiros sintomas para o diagnóstico precoce. Na etapa de tratamento, esse auxílio também é essencial. Os parentes deverão conversar com o médico, buscando saber como colaborar com a melhora da paciente, além de zelar pela saúde da mãe e do bebê.

Como a futura mamãe pode evitar esses problemas?

Para evitar a possibilidade de sofrer com depressão pós-parto, as gestantes podem tomar algumas medidas preventivas. São elas:

  • pedir ajuda sempre que sentirem necessidade, seja com dicas de como dormir bem, fazer exercícios físicos ou manter uma alimentação saudável. Em outras palavras, não enfrentar a gestação sozinha, porque se trata de uma fase muito importante na vida de todos;
  • não consumir álcool, drogas e, sempre que possível, evitar a cafeína, pois essas substâncias podem afetar ainda mais os estímulos hormonais;
  • realizar o acompanhamento médico, afinal, o pré e pós-natal são extremamente importantes para a saúde da mãe e do bebê;
  • avisar ao médico na primeira consulta caso tenha tido problemas psiquiátricos e/ou depressão em outra fase da vida;
  • praticar exercícios como ioga, meditação e relaxamento, que ajudam a se conectar consigo mesma e a aliviar a ansiedade na gestação.

Já o estado puerperal, embora seja natural, também pode ser minimizado ou enfrentado de uma forma mais tranquila. Algumas dicas estão descritas abaixo.

Gestação consciente

Ter uma gestação tranquila e consciente ajuda na preparação psicológica para a chegada do bebê. Como assim consciente? É simples: pare e reflita, desde o começo, sobre as mudanças que ocorrerão após o parto. Ter clareza sobre a possibilidade de ter que mudar planos, adiar sonhos e se doar para outro ser é importante nessa preparação.

Planejamento para o pós-parto

Um bom planejamento também é essencial para que você não fique tão perdida com a chegada do pequeno. Como será feita a conciliação entre maternidade e carreira? Se não é casada, como será a relação com o pai do bebê? Se estuda, existe a possibilidade de continuar os estudos em casa ou de trancar sua matrícula?

Parto mais naturalizado

Outra dica é buscar um parto mais naturalizado. Esperar o corpo entrar em trabalho de parto sozinho é importante para que ocorram todas as respostas hormonais essenciais para a recuperação da mãe em seguida.

Vai fazer cesárea? As cirurgias costumam ser agendadas com antecedência, então é um pouco mais difícil esperar as contrações naturais. No entanto, vale a pena conversar com seu médico para marcar o parto com a gravidez mais adiantada, quando o corpo já está mais preparado para esse processo. 

Rede de apoio

Por fim, outra dica é constituir uma rede de apoio para os cuidados com a criança após o parto. Muitas vezes, a grande melancolia experimentada pelas mulheres nesse período vem do peso da responsabilidade. Saber que você tem com quem contar é de grande ajuda: pediatra, amigos, família, companheiro, babá etc.

De novo, é extremamente importante que os familiares cedam atenção especial para a gestante — a saúde mental e o estado emocional da mulher devem ser uma das prioridades antes, durante e após o parto. É fundamental diferenciar o que é puerperal e o que entra no âmbito da depressão, para que seja feito o acompanhamento certo. 

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Mammybelt

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